HPV: o que é, sintomas, riscos, prevenção e vacinação pelo SUS
- Agenciarte
O HPV (Papilomavírus Humano) é um vírus que afeta a pele e as mucosas e representa a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum no mundo. Existem mais de 200 tipos de HPV, sendo que alguns causam verrugas genitais e outros estão associados ao desenvolvimento de câncer, como o do colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta.
Apesar de sua alta frequência, o HPV ainda gera muitas dúvidas. A boa notícia é que a maioria das infecções é eliminada espontaneamente pelo organismo, e a vacinação, oferecida gratuitamente pelo SUS, é a principal forma de prevenção.
O que é o HPV?
O HPV é transmitido principalmente por contato sexual, incluindo relações com ou sem penetração. O vírus pode permanecer latente por meses ou anos, sem causar sinais visíveis, o que facilita a transmissão sem que a pessoa saiba que está infectada.
Alguns tipos de HPV são considerados de baixo risco, associados a verrugas genitais. Outros são classificados como de alto risco oncogênico, podendo provocar alterações celulares que, se não tratadas, evoluem para câncer.
Sinais e sintomas
Na maioria das pessoas, o HPV não apresenta sintomas. Quando surgem manifestações, elas podem aparecer entre 2 e 8 meses após a infecção, mas em alguns casos levam anos ou até décadas para se manifestar.
Lesões clínicas (visíveis)
-
Verrugas na região genital ou anal
-
Podem ser únicas ou múltiplas
-
Variam de tamanho e formato
-
Geralmente não causam dor, mas podem provocar coceira
Essas lesões são conhecidas tecnicamente como condilomas acuminados e, em geral, estão associadas a tipos de HPV não cancerígenos.
Lesões subclínicas (não visíveis a olho nu)
-
Não apresentam sintomas
-
Só são detectadas por exames clínicos ou laboratoriais
-
Podem ser causadas por tipos de HPV de baixo ou alto risco para câncer
As lesões podem acometer vulva, vagina, colo do útero, ânus, pênis, bolsa escrotal e região pubiana, além de, mais raramente, áreas como boca, garganta e laringe.
Diagnóstico
O diagnóstico do HPV depende do tipo de lesão e pode incluir:
-
Avaliação clínica
-
Exames laboratoriais
-
Exames ginecológicos, como o Papanicolau
É importante destacar que o Papanicolau não detecta o vírus, mas identifica alterações celulares precursoras do câncer do colo do útero, permitindo tratamento precoce e prevenção quase total da doença.
Desde 2024, o SUS passou a incorporar testes moleculares para detecção do HPV oncogênico como estratégia de rastreamento do câncer do colo do útero, ampliando a capacidade de diagnóstico precoce.
Tratamento
O tratamento do HPV tem como objetivo eliminar as lesões, e não o vírus em si. Mesmo após o tratamento, o HPV pode permanecer no organismo, o que explica a possibilidade de recidiva.
As opções de tratamento incluem:
-
Métodos químicos
-
Procedimentos cirúrgicos
-
Terapias que estimulam o sistema imunológico
Podem ser realizados:
-
Em casa, com medicamentos autoaplicáveis (quando indicados)
-
Em ambiente ambulatorial, com aplicação por profissionais de saúde
O tratamento é sempre individualizado, levando em conta:
-
Localização das lesões
-
Quantidade e extensão
-
Condição clínica da pessoa
Gestantes, pessoas vivendo com HIV, transplantados e pacientes imunossuprimidos necessitam de acompanhamento mais rigoroso.
A importância do acompanhamento da parceria sexual
As parcerias sexuais devem ser orientadas e avaliadas, mesmo que não apresentem sintomas. Muitas vezes, a infecção ocorre a partir de uma pessoa assintomática. O cuidado conjunto reduz o risco de reinfecção e contribui para um controle mais eficaz da doença.
Prevenção: vacinação é fundamental
A vacina contra o HPV é a forma mais eficaz de prevenção. Disponível gratuitamente pelo SUS, ela protege contra os tipos mais frequentes do vírus, incluindo os associados ao câncer.
Quem pode se vacinar pelo SUS:
-
Meninas e meninos de 9 a 14 anos
-
Pessoas vivendo com HIV, transplantados e pacientes oncológicos, de 9 a 45 anos
-
Vítimas de abuso sexual, de 15 a 45 anos
-
Usuários de PrEP para HIV, de 15 a 45 anos
-
Pacientes com Papilomatose Respiratória Recorrente, a partir de 2 anos
A vacina não elimina infecções já existentes, mas previne novos casos e reduz significativamente o risco de câncer associado ao HPV.
Uso do preservativo
O uso do preservativo interno ou externo reduz o risco de transmissão do HPV, mas não elimina completamente a possibilidade de contágio, pois o vírus pode estar presente em áreas não cobertas pela camisinha.
Ainda assim, o preservativo é uma medida essencial de prevenção, especialmente quando utilizado desde o início da relação sexual.
Informação e prevenção salvam vidas
O HPV é uma infecção comum, muitas vezes silenciosa, mas que pode ter consequências graves quando não acompanhada. A combinação de vacinação, exames preventivos regulares e informação de qualidade é a principal estratégia para reduzir casos de câncer relacionados ao vírus.
A Plena Saúde reforça a importância do cuidado preventivo, da vacinação e da busca por orientação profissional sempre que houver dúvidas ou alterações na saúde íntima.